Fale conosco - Downloads - Notícias
Home
Notícia
<< Voltar

Reino Unido sente a pressão de um Brexit complicado

02/08/2017 em ARTIGOS
Artigo por Blu Putnam*
(Chris Lawton/Unsplash)
As economias da zona do euro estão tendo um desempenho um pouco melhor aos olhos do Banco Central Europeu (BCE), enquanto a economia do Reino Unido está sendo lentamente arrastada para baixo pelo aumento do medo com o Brexit após as surpreendentes eleições parlamentares de junho. E, no cenário global, a retração dos Estados Unidos da sua posição de liderança em acordos comerciais e regulatórios pode complicar muito as negociações do Brexit à medida que a União Europeia (UE) é encorajada a se afirmar de maneira mais agressiva no cenário mundial, tornando o Brexit um peão em um jogo muito maior.

A situação das negociações do Brexit após a eleição no Reino Unido

O Brexit estava predestinado a ser complexo, e agora será muito mais difícil para o Reino Unido chegar a um acordo em linha com seus próprios eleitores, tornando ainda mais incerto o resultado das próximas eleições parlamentares, sempre que ocorram. Embora observemos que um acordo suave do Brexit seria mais favorável para a libra britânica do que um Brexit difícil, não está claro se um acordo passaria com maioria num parlamento atualmente dividido no Reino Unido. E, com dois líderes fortes do lado da UE - Angela Merkel na Alemanha e o francês Emmanuel Macron - a UE não está suscetível a permitir que o Reino Unido mantenha os benefícios do comércio e da união aduaneira sem que seja pago um preço elevado, mesmo que muitos na UE sejam amigáveis a um arranjo suave do Brexit. E, se as negociações estiverem atrasadas e/ou obsoletas, e se o pêndulo estiver em direção à falta de um acordo ou a um acordo ruim, é provável que a libra esteja sob pressão de queda.

O resultado incerto e a alta probabilidade de longos atrasos em um acordo do Brexit deixam o setor financeiro do Reino Unido de mãos atadas. As instituições financeiras fortes em swaps de Euro ou em negócios de clientes europeus, incluindo gestores de ativos, podem enfrentar grande pressão regulatória da UE para conduzir e dar entrada a determinados negócios relacionados com o Euro na UE. A União Europeia irá argumentar que os swaps denominados em Euros terão de ser eliminados de dentro da UE, de modo que o BCE seja o principal suporte se houver uma crise, em vez de deixar este posto ao Banco da Inglaterra para cuidar dos negócios em swaps denominados em Euro. A implicação é que uma empresa financeira não poderá aguardar até que as negociações do Brexit estejam concluídas para proteger-se (fazer hedge) de seus riscos de negócios. Alguns postos de trabalho vão sair de Londres em 2017-2018 para a UE, e a capacidade de Londres de atrair novos empregos será mínima - mesmo supondo que Londres mantenha seu status de principal centro financeiro no fuso horário do Reino Unido/UE. E, com o setor financeiro de Londres indefinido, as empresas do Reino Unido com exportações para a UE, provavelmente, também serão extremamente cautelosas em termos de planos de expansão.

Em suma, há mais confusão e incerteza pelo caminho. A economia do Reino Unido não é suscetível a lidar bem com toda esta ambiguidade. É provável que haja um crescimento mais lento no segundo semestre de 2017 até 2018. Todas as partes do país podem ver investimentos significativamente menores à medida que a ansiedade com o Brexit aumente as incertezas sobre a liderança em Westminster. A economia de Londres sentirá um arrepio diferente.

Perspectivas econômicas da UE e do BCE

O Banco Central Europeu (BCE) está ficando mais otimista sobre as perspectivas de uma expansão econômica modesta e sustentável, digamos de 1,5% a 2% do PIB real anualmente, ou aproximadamente o mesmo que os Estados Unidos e um pouco mais do que o Japão. No entanto, a taxa global de inflação da UE não está aumentando, de modo que o BCE pode falar sobre a redução da compra de ativos em algum trecho da estrada; o foco mais provável do BCE seria sair das taxas negativas de depósito do BCE o mais rápido possível no segundo semestre de 2017. Os rendimentos do “Bund” alemão para 10 anos já aumentaram e refletem a mudança nas intenções de política do BCE e o euro reagiu contra o dólar dos EUA em 2017, mesmo enquanto o Federal Reserve elevava as taxas e contempla diminuir seu balanço.

Uma UE encorajada: Acordos de Comércio Global sem os Estados Unidos

A história fica mais complicada. Existem implicações interessantes para as negociações do Brexit e para as economias da zona do euro desde a saída dos EUA da liderança mundial do comércio e da política de regulamentação. É provável que a UE seja encorajada a assumir uma postura muito mais agressiva na busca de acordos bilaterais e multilaterais sobre questões comerciais e regulatórias, com ou sem a participação dos Estados Unidos e do Reino Unido congelado após o Brexit. Ou seja, existe um desejo real da UE, do Japão e da China em avançar com seus próprios negócios, com a falta de uma presença dos EUA simplesmente sendo a nova realidade. Estamos vendo um acordo UE-Japão avançar, e um novo acordo Trans-Ásia sem os EUA é totalmente possível. A China, especialmente, caminhará para consolidar seu lugar como líder mundial em negócios comerciais e ganhar influência no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial. E do lado da regulação, a UE já advertiu os EUA sobre a revisão de certas disposições da regulação financeira Dodd-Frank que a UE considera essencial para a coordenação regulatória global.

* Blu Putnam é Economista-Chefe e Diretor Administrativo do CME Group

** As opiniões neste artigo refletem apenas as do autor e não necessariamente as da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro, do CME Group ou de suas instituições afiliadas. Todos os exemplos neste relatório são interpretações hipotéticas de situações e são usados apenas para fins de explanação. Este relatório e as informações aqui contidas não devem ser considerados conselhos de investimento ou resultados de experiência real de mercado.
Agenda

mantenedores

OURO

PRATA

  • Praça Pio X, 15 / 5º andar – Centro
    CEP: 20040-020 – Rio de Janeiro/RJ
  • + 55 (21) 3213-9200
    Fax: 55 (21) 3213-9201
  • amchamrio@amchamrio.com
Redes AmChamRio
  • COPYRIGHT © 2012.